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  • Dra Geórgia Fonseca

O Bullying em crianças, jovens e pessoas com deficiência.


A palavra Bullying é de origem inglesa que vem de Bully que significa valentão, brigão e não tem tradução exata para o português, mas, é um termo utilizado para qualificar comportamentos agressivos, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

O Bullying é uma forma de violência gratuita e cruel e ocorre por meio de maus tratos intencionais e repetitivos de forma verbal, moral, sexual, social, física, material e até mesmo virtual. Um importante campo fértil para o bullying é o cyberbullying, em que o Facebook, e-mail, Twitter, e outras formas de mídia social são usadas para espalhar informações cruéis e muitas vezes falsas sobre as pessoas. Enquanto as redes sociais podem ser um grande recurso para conectar indivíduos, elas podem e têm sido usadas de forma prejudicial para banir e excluir outros.

O alvo do Bullying costuma ser uma criança com baixa autoestima e retraída tanto na escola como em casa. A criança que sofre Bullying na escola, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom o suficiente para se integrar em um grupo e apresenta baixo rendimento escolar.

Não é raro ouvir histórias sobre os alunos - com e sem deficiência - sendo intimidados. Histórias sobre o bullying têm capturado a atenção da mídia em todo o mundo sobre como as crianças tentam enfrentar e sobreviver à intimidação, demonstrando como o assédio moral tem impacto sobre a auto-estima, em como a experiência da humilhação e perda de sensação de segurança, em situações extremas, pode levar ao suicídio. E também assistimos tristemente a tentativa de muitas famílias ajustarem-se a perda de um ente querido depois de um suicídio motivado por bullying.

A realidade é que os estudantes no espectro do autismo são intimidados com mais frequência do que os estudantes com deficiência. E isto lhes falo porque já se publicaram alguns estudos. De fato, dos estudantes que são maltratados, 63% estão no espectro do autismo.

Independentemente do resultado associado com o bullying, e se ou não o aluno tem uma deficiência, o bullying é um problema sério e penetrante que deve ser abordado nas escolas.

Bullying envolve repetidas ações prejudiciais em relação a um indivíduo ou a um grupo. Ele ocorre quando alguém é percebido como tendo uma fraqueza, um desafio, ou uma diferença que pode servir para isolá-los e torná-los um alvo para os atos nocivos. O Bullying ocorre muitas vezes na frente ou inclui outros, e testemunhas podem desempenhar no papel importante no aumento ou diminuição do bullying, se eles escolherem. Muitas pessoas acham que Bullying é só quando alguém ofende alguém de alguma forma, participando ativamente do ato, mas especialistas alertam para um personagem que quase ninguém o reconhece como responsável tanto quanto quem pratica, que é o espectador. Esse que só assiste alguém cometendo Bullying com o outro e simplesmente não faz nada é tão responsável quanto aquele que pratica o Bullying, e é muito importante que pais e professores esclareçam esse aspecto à todas as crianças.

O impacto do assédio moral pode ser muito grande e verdadeiramente devastador. A criança ou o jovem podem começar a apresentar comportamentos como baixa auto-estima, ansiedade elevada, depressão, medo, recusa em ir à escola, isolamento e ideação suicida. Às vezes, os sinais são bem evidentes mas em outras vezes, os indivíduos que são maltratados tentam mascarar ou ocultar suas reações emocionais ao bullying. Porém os profissionais envolvidos e membros da família podem perceber que o indivíduo começa a apresentar uma diminuição das notas na escola, sinais de dificuldade de concentração, perda de interesse nas habilidades acadêmicas e esportivas, queixas orgânicas de doenças físicas imaginárias ou mesmo reais e finalmente, o desejo de abandonar os estudos. As famílias e os profissionais devem estar cientes das mudanças de comportamento que podem indicar que um estudante está sendo intimidado. Por exemplo, se uma criança ou adolescente se recusa a ir à escola, pode ser um indicador de que ele / ela está sendo intimidado e não se sente seguro lá.

Numa criança ou jovem com autismo o bullying pode ser difícil de detectar no primeiro momento. Geralmente eles sub-reagem quando o bullying começa porque podem ter dificuldade em compreender a diferença entre uma brincadeira amigável e o bullying. As pessoas com autismo têm um déficit marcado no que chamamos “Teoria da Mente”, que seria a capacidade que nós temos em entender o que os outros estão sentindo ou pensando, a nossa capacidade de captar emoções nos outros. A "leitura da mente" é um desafio para os autistas e isso gera neles um marcado déficit nas habilidades sociais. Em termos destas habilidades, os indivíduos com autismo têm dificuldade em ler sinais não-verbais, incluindo a linguagem corporal e as expressões faciais dos outros. Esse é um dos fatores principais para que esses alunos se tornem alvos tão vulneráveis para bullying.

Um ponto que desejo chamar atenção para as escolas é que o assédio moral está se tornando uma área de crescimento para o litígio. As escolas devem investigar seriamente quaisquer queixas de bullying feitas pelos pais ou alunos. Se o aluno tem uma deficiência, o bullying pode ser visto como negar a esse estudante uma educação plena e adequada, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto da Pessoa Com Deficiência. A pesquisa mostra que proativamente fornecer estratégias e apoios, no contexto da cultura escolar, pode diminuir ou minimizar a necessidade de responder de forma reativa aos incidentes (Espelage & Swearer, 2008).

Nestes casos, a escola pode ajudar a evitar o Bullying tomando algumas atitudes como:

Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões.

Estimular os estudantes a informar os casos que acontecem na escola.

Reconhecer e valorizar as atitudes dos alunos no combate ao problema.

Criar com os alunos regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar.

Estimular lideranças positivas entre alunos, prevenindo futuros casos.

Interferir diretamente no grupo o quanto antes, para quebrar a dinâmica do Bullying.

Criar uma Política Escolar de Não-bullying que descreva claramente as várias formas de bullying, descreva os procedimentos a seguir quando o bullying ocorre, e articule as consequências. Esta política deve ser compartilhada com os pais, e estes devem ser encorajados a discutir a política com os seus filhos, com ou sem deficiência. A política deve ser revista com frequência com os alunos e divulgada em diversas áreas da escola.

Instituir o Programa de Apoio ao Comportamento Positivo em toda a escola. Estabelecer regras e implantá-las em todos os espaços da escola. Regras não devem ser simplesmente declaradas em termos negativos (dizer aos alunos o que não fazer), mas devem dizer aos alunos como eles devem agir. Muitas vezes, as regras são demonstradas usando termos abstratos, tais como, "respeitar os outros." Ser tangível e ensinar o comportamento respeitoso, ensinando também a responderem à um comportamento que não seja respeitoso pode ser um bom caminho. Revisitar as regras regularmente e compartilhar essas regras com os pais. Nesse Programa de Apoio ao Comportamento Positivo pode-se também pensar em métodos de destacar aqueles alunos que apresentem atitudes inclusivas e respeitosas como um meio de reforço positivo.

Devemos também entender que muitos estudantes que fazem bullying são aqueles que não têm as habilidades de resolução de conflitos. resolução de problemas, negociação e gestão da raiva. Assim escolher uma habilidade social do mês para ser trabalhada pode ser uma boa ideia.

Muitas vezes os Bullies ( Os indivíduos que praticam o bullying)são muito discretos nas atitudes de intimidação e podem ser difíceis de detectar. Trabalhar com a equipe sobre estratégias e um plano de ação. Se os tempos não estruturados do dia são mais problemáticos, isso pode significar que mais pessoal pode ser necessário durante esses tempos.

Criar informações sobre cyberbullying que podem ser enviadas para casa, para os membros da família e dadas aos estudantes. Os alunos precisam entender que a tecnologia nos permite manter um registro permanente. Pode ser necessário estabelecer regras para o uso de tecnologia pessoal na escola.

É muito importante tentar ajudar aos indivíduos que estão no espectro do autismo a discernirem claramente o que é bullying e não é. Para alguns alunos com autismo será útil para explicar em termos concretos o que é bullying, fornecendo exemplos específicos e concretos. Através do uso de narrativas sociais, jogos e treinamento, pode se apresentar a eles exemplos concretos da vida real, de intimidação e provocação, e ajuda-los a aprender a diferença entre os dois. Também ensiná-los a que procedimento devem tomar durante estes momentos pode ser um roteiro seguro.

Outra chave para a segurança é criar uma Comunidade de Amigos ao redor do aluno. Os estudantes têm o potencial de se tornarem vítimas quando eles estão isolados no corpo do estudantes. Ter certeza que eles estão ligados a outros através de meios informais ou formais podem aumentar a sua segurança.

O bullying pode aumentar a ansiedade dos alunos, levá-los a se sentirem inseguros e prejudicar o desempenho acadêmico. Todos os alunos, incluindo aqueles no espectro do autismo, têm o direito de se sentirem seguros na escola. Cada um de nós tem um papel no sentido de tornar a escola um ambiente seguro e acolhedor que estimule o aprendizado e as relações sócio-emocionais positivas.

Tipos de Bullying:

Chamar por apelidos ofensivos.

Lançar calúnia ou tirar barato da característica do outro ( Gordo, baleia, zaroio - vesgo, 4 olhos – usa óculos, vareta – por ser muito magro).

Puxar, dar pontapés, bater, beliscar, ou outro tipo de violência física.

Atacar o emocional como excluir a pessoa do grupo, atormentar, ameaçar, manipular, amedrontar, chantagear, ridicularizar, ignorar.

Toda a ofensa que resulte de cor, étnicas e/ou de religião;

Características de alguém que está sofrendo bullying:

Estar sempre assustada e se recusar ir para a escola ou para o lugar que esteja sofrendo o Bullying.

Apresentar notas baixas.

Isolar-se;

Começar a gaguejar.

Mostrar sentir angústia.

Se tornar de repente muito calado e taciturno.

Deixar de comer.

Tornar-se agressivo.

Ter pesadelos constantemente.

Tentar fugir.

Tentar o suicídio.

O que não é Bullying?

Discussões ou brigas pontuais não são Bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor, mãe e filho, irmão com irmã também não é considerado Bullying se ocorrer de vez em quando, e é um processo natural irmãos brigarem, mas devemos lembrar que o bullying doméstico também ocorre. E muito! Todo Bullying é considerado uma agressão, mas nem toda agressão é considerada Bullying.

Todos os pais, familiares e professores devem estar sempre atentos as suas crianças, pois uma mínima mudança de comportamento pode gerar efeitos devastadores.

A escola não deve ser apenas um lugar de ensino formal que se ensina fórmulas e conceitos, mas, principalmente de formação de cidadãos, com direitos e deveres, de amizade, cooperação e solidariedade. Ter uma atitude contra o Bullying é uma forma eficiente de diminuir a violência entre alunos e a violência na sociedade.

Referências:

Sites:

Bullying and Individuals with Special Needs: Anti-bullying Webcasts. http://www.ocali.org/project/bullying_and_individuals_with_special_needs/page/anti_bullying_webcasts

CNN Health: Why Autistic Kids Make Easy Targets for School Bullies. http://www.cnn.com/2012/09/07/health/autistic-kids-bullied-time/

IAN Research Report on Bullying and Children with ASD. http://www.iancommunity.org/cs/ian_research_reports/ian_research_report_bullying

Model Me Confidence and Bullying Prevention, also includes information on training DVD. http://www.modelmekids.com/bully.html

National Autism Association: A & S Bullying. http://www.autismsafety.org/bullying.php

New York Times: School Bullies Prey on Students with Autism. http://well.blogs.nytimes.com/2012/09/03/school-bullies-prey-on-children-with-autism/?_php=true&_type=blogs&_r=0

Livros e Artigos:

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Bernard, E.C. (2010). Four minutes a day: A parent and teacher guide for victims of entertainment bullying in school hallways. Villanova, PA: Teacher Voice Publishing.

Espelage, D., & Swearer, S. M. (2008). Addressing research gaps in the intersection between homophobia and bullying. School Psychology Review, 37, 155-159.

Dubin, N. (2007). Asperger syndrome and bullying: Strategies and solutions. Philadelphia, PA: Jessica Kingsley Publishers.

Gray, C. & Williams, J. (2006). No fishing allowed bullying prevention program: “Reel in” bullying. Arlington, TX: Future Horizons, Inc.

Heinrichs, R. (2003). Perfect Targets: Asperger Syndrome and bullying: practical solutions for surviving the social world. Shawnee Mission, KS: Autism Asperger Publishing Co.

McNamarra, B. (2013). Bullying and students with disabilities: strategies and techniques to create a safe learning environment for all. Thousand Oaks, CA: Corwin, a SAGE Company.

Sabin, E. (2006). The autism acceptance book: Being a friend to someone with autism. New York, NY: Watering Can Press.

Simmonds, J. (2014). Seeing red: An anger management and anti-bullying curriculum for kids. Gabriola Island, British Columbia, Canada: New Society Publishers.

Sterzing, P.R., Shattuck, P.T., Narendorf, S.C., Wagner, M. & Cooper, B.P. (2012). Bullying involvement and autism spectrum disorders: Prevalence and correlates of bullying involvement among adolescents with an autism spectrum disorder. Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine. doi:10.1001/archpediatrics.2012.790.

Zablotsky, B., Bradshaw, C. P., Anderson, C., & Law, P. A. (2013). The association between bullying and the psychological functioning of children with autism spectrum disorders. Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics,34(1), 1-8. doi: 10.1097/DBP.0b013e31827a7c3a

DVDs:

Autism Partnership. (2013). Bullying and ASD: the perfect storm. [motion picture]. New York: DRL Books, Inc.

Cerullo, C.V. (Director). Bullying and students with special needs. [motion picture]. United States: Omni Publishing Company.

MacKinnon, S. (Director). (2006). Being bullied: Strategies and solutions for people with asperger’s syndrome. [Motion picture]. United States: Jessica Kingsley Publishers.

Aplicativos:

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