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Deficiência e adolescência.Os jovens e a inclusão


Embora crianças e jovens

demonstrem, na maioria das vezes, ter boas atitudes para com as pessoas com doença mental, uma pesquisa sugere que mais educação é necessária para explicar o que alguns diagnósticos psiquiátricos implicam. Para aumentar a aceitação e para reduzir o estigma é necessário cada vez mais informação.

Um estudo com levantamento da opinião de cerca de 200 alunos da sétima série e oitava série nos Estados Unidos, mostrou que mais de 90% dos participantes disseram que as pessoas com um distúrbio psiquiátrico merecem respeito e que mais de 60% se sentiriam em situação confortável com essas pessoas em um situação social.

No entanto, 65% das crianças relataram estarem incertas sobre a causa destas doenças. A maioria não entendia os sintomas de doenças específicas, e quase 30% acreditavam que as pessoas com diagnósticos mais graves não ficariam melhor - mesmo após tratamento.

"Os resultados sugerem que o conhecimento dos estudantes do ensino médio sobre a doença mental é inconsistente ", escreve o autor Otto Wahl, PhD, do Departamento de Psicologia da Universidade de Hartford, em Connecticut, e seus colegas. E isso não quer dizer que jovens devem receber aulas de um “tratado de psiquiatria” mas que devem sim receber mais informações sobre as deficiências e as possibilidades de evolução e de convivência com essas crianças e jovens.

"O estigma pode persistir como um problema e os jovens com doença mental permanecem em situação de exclusão por seus pares."

Os investigadores notaram que isso é especialmente problemático porque muitos transtornos de saúde mental, vezes emergem em uma idade quando um adolescente está buscando mais a aprovação pelos pares.

"Claramente, a melhor educação de jovens sobre a doença mental e suas formas variadas e orientação para atitudes mais positivas de aceitação são necessárias", eles escrevem. Isto porque a maioria dos equívocos de julgamento estão enraizados na infância. Estudos anteriores mostraram que muitas pessoas acreditam, e transmitem isso à seus filhos, que os indivíduos com uma doença mental são perigosos e imprevisíveis, apesar dos avanços na pesquisa científica e dos grandes esforços dos grupos que lidam com as doenças mentais para melhorar a percepção pública dos transtornos mentais.

"É improvável que essas atitudes negativas e equívocos surjam de forma repentina na idade adulta. Pelo contrário, eles provavelmente têm suas raízes na infância", escrevem eles.

Para este estudo, 193 estudantes (53% meninas, 45% brancos, 21% negros, 19% hispânicos) foram entrevistados em escolas americanas do ensino Médio na Carolina do Sul, Nova York, Flórida e Novo México entre novembro de 2008 e abril 2009.

Os questionários foram utilizados para medir as atitudes, conhecimentos e distanciamento social (o grau de vontade de interagir com alguém em uma situação social diferente) em relação às doenças mentais.

Os resultados da pesquisa mostraram que "lacunas importantes eram evidentes, principalmente com relação aos sintomas de transtornos específicos", escrevem os investigadores.

Apenas 25% dos participantes relataram saber que " comportamento excessivamente energético" é um dos sintomas do transtorno bipolar, enquanto que 72% não tinham certeza se ter ou não ter múltiplas personalidades é um sintoma de esquizofrenia, e 47% relataram não saber se a doença mental e retardo mental são a mesma coisa. Além disso, apenas 37% dos alunos relataram acreditar que a medicação pode ser útil no tratamento destas doenças, e 52% não tinham certeza se pessoas com um distúrbio psiquiátrico ficariam melhores com tratamento. Um total de 37% disse que os alunos com uma doença mental não deveriam estar em uma sala de aula regular, 19% relataram estar incertos sobre isso.

Mais preocupante, apenas 42% das crianças disseram que estariam dispostas a convidar um colega doente mental em sua casa, e apenas 14% disseram que estariam dispostas a namorar com alguém assim.

"Os resultados, espelhados em achados frequentes em estudos que medem distância social – demonstram que quanto menos íntimo é o relacionamento, menos disposto é um indivíduo em interagir com alguém com uma doença mental".

Ainda assim, outros achados da pesquisa foram encorajadores e incluíram o seguinte:

• 72% dos participantes concordaram que os doentes mentais são muitas vezes tratados de forma injusta;

• 66% concordam que a mídia muitas vezes retrata negativamente doenças mentais,

• Apenas 10% acham que as pessoas com doença mental tendem a ser violentas ou perigosas (embora 36% não tinham certeza sobre esta declaração).

Além disso, apenas 27% disseram que teriam vergonha se eles tivessem uma doença mental .

No geral, os resultados sugeriram "uma forte necessidade de uma melhor educação dos alunos sobre distúrbios específicos que lhes permitam reconhecer, entender e responder às suas próprias doenças mentais ou as de outros", escreveram os investigadores.

Acredito que as crianças e jovens de hoje possuem espíritos de alto gabarito que irão transformar realmente o futuro. Elas são a promessa de um mundo mais justo e fraterno. Eu me surpreendo todos os dias com as maravilhosas qualidades que elas trazem consigo! As vejo em atitudes tão humanas e inclusivas que me emociono e me surpreendo com elas à cada momento.

Como pediatra vejo tantos pais se esmerarem em dar formação intelectual aos filhos, mas a formação moral é a que continua a ser a principal e mais necessária. A noção de lar e família, de cidadania e de inclusão deve ser reforçada. Há tantos jovens carentes afetivamente enquanto os adultos vivem numa corrida egoísta por toda sorte de objetivos pessoais.

Eu sei que o mundo pode se tornar mais inclusivo, mas para isto é a nova geração que tem que dar os primeiros passos. Porém o caminho deve ser antes preparado por todos nós.

Knowledge and Attitudes About Mental Illness: A Survey of Middle School Students

Article (PDF Available) in Psychiatric services (Washington, D.C.) 63(7):649-54 · April 2012

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