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O que é ser Pediatra


Ser Pediatra Vestibular concorrido...Horas e horas de estudo. Faculdade difícil. Horário exaustivo. Deparar-se com livros enormes e capítulos intermináveis para serem decorados em curto espaço de tempo. Encontrar-se em meio aos cadáveres com o respeito por aqueles corpos que nos educaram não só sobre Anatomia. Mas sobre a vida e a morte. Passar horas de internação neste Anatômico perscrutando cada ossículo, cada veia, cada nervo. Espremer o cérebro com a Bioquímica e a Fisiologia, ao mesmo tempo em que se surpreende com a grandiosidade de um sistema fantástico, todo feito para que possamos estar aqui e agora de pé, como seres pensantes. Estudar todas as clínicas, da Urologia à Neurologia, e por fim chegar à Pediatria! E se encontar entre pequenos corpinhos e mentes que fervilham no seu afã de crescer e florescer! Massacrar-se em um Internato aonde se pensa em desistir e se chora à cada noite no seu travesseiro, mas afinal, já se passaram 5 anos! E você pensa: Falta só mais um! Mas ainda te esperam 3 anos de Residência... Enfrentar nova prova difícil para conquistar uma vaga de Residência Médica. Deixar que toda a sua força e juventude seja devotada ao sacrifício de dias e noites ininterruptas de trabalho, plantões, estudo, sabatinas, fome, falta de sono, falta de vida social. Aprender a usar os grossos livros como travesseiro e mesmo assim, sentir no coração a angústia indescritível de assistir a morte de uma criança! Fazer parte de uma equipe em ação diligente, aonde cada um deve saber o como pensar e como agir rapidamente, e mesmo assim assistir a vida se esvair de um corpinho ainda tenro, deixando só o sentimento de vazio no peito, enquanto alguém do seu grupo coloca a mão no seu ombro e diz: - Pára. Não dá mais... Já se foi... Você já assistiu a morte de uma criança?... Então não sabe o que é um Pediatra. Você já ajudou uma criança à nascer e ouviu seu primeiro choro, vendo seus olhos se abrirem a primeira vez à luz deste mundo?...Então não sabe o que é um Pediatra. Pois eu digo que Pediatra é uma espécie de médico diferente. Isso porque somos mais que médicos. Aprendemos a ser também conselheiros, terapeutas, professores, assistentes sociais, pesquisadores, educadores, quebra-galhos, orientadores vocacionais e muito mais. E tudo isso com muita esperança, coragem e resiliência. Ser Pediatra é aprender que mesmo nas situações mais sombrias, a esperança é a última a fenecer. As crianças podem sobreviver e prosperar após eventos verdadeiramente devastadores. A maneira como as crianças enfrentam doenças graves e circunstâncias difíceis é incrível. Há muito a aprender com esses pequenos. Aquele sorriso lindo e claro que brota, você nem sabe de onde, é um enigma. Ser Pediatra é tentar manter a união familiar. Tentar conciliar mães, sogras e avós. Casais que divergem sobre os filhos. Crianças sob tutelas diferentes. Ser Pediatra é viver num filme de terror ao descobrir uma criança negligenciada e abusada. Ser Pediatra é poder ser palhaço e fazer as pantomimas que quiser sem que aquela capa de seriedade que as cátedras acadêmicas nos impõem. Em que outro trabalho você pode vestir vestidos de super-heróis e ter uma sala cheia de brinquedos? Onde mais você pode fazer caras bobas, brincar com bolhas ou sentar no chão sem parecer estranha? Então ser Pediatra é também saber fazer uma criança sorrir! Ser Pediatra é saber que uma criança não é um “adulto em miniatura”. Assim uma freqüência cardíaca de 160 é completamente normal em um recém-nascido, mas se um adolescente apresentar essa freqüência cardíaca, você deveria estar preocupada. Existem distúrbios genéticos, síndromes metabólicas raras e você deve ser capaz de prever que uma infecção do ouvido pode se transformar num abscesso cerebral. É saber calcular miligramas por peso, idade e área corporal antes de prescrever medicamentos. É preciso entender os marcos do desenvolvimento e não apenas o que é considerado normal para um bebê saudável, mas o que é considerado normal para uma criança com defeito cardíaco congênito, um prematuro ou uma criança com síndrome de Down. Ser Pediatra é saber preparar uma mamadeira ou uma nutrição parenteral com seus miliequivalentes por quilo, bicarbonatos e balanço nitrogenado. Ser Pediatra é ter coragem para fazer o que os outros médicos recusam : Enfrentar os pais! Muitos dizem: Até faria Pediatria se não fosse pelos pais. E Você tem que saber lidar com as ansiedades, os medos, os questionamentos. Quando uma mãe te liga por uma coisa que você julga trivial, ou quando eles questionam seu conhecimento e formação, ou quando desejam que você prescreva o que eles acham que a criança deve usar ou não acreditam no diagnóstico de virose, apesar de ser a coisa mais comum mesmo nas crianças. Porém é nesse momento que você entende que o objetivo deles é o mesmo que o seu, e o que nós desejamos é que a criança não sofra e se recupere bem. Ser Pediatra é aprender a misturar energia, compaixão, doçura e firmeza. E acima de tudo lutar para que esses pequenos sorrisos possam se manter iluminados até a vida adulta. Ser Pediatra é ser Acendedor de Sorrisos. Por isso amo ser Pediatra! Dra Geórgia Fonseca

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