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  • Foto do escritorGeórgia Fonseca

O que eu acho do Autismo em minha vida


Não acho o autismo bonito... Minha filha sim é bonita, e todos os autistas que conheço. Incrível e maravilhosamente belos!. Para mim a definição é que ele é tenso. Isso mesmo, tenso. Você poderá sentir seus níveis de ansiedade se elevando a toda hora, do dia e da noite. Nossos filhos de bom humor serão o desafio para nossas habilidades de interação, intervenção e ajuda para que eles possam compreender mais deste mundo. Porém, quando de mau humor, podem ser imprevisíveis e assustadores. E só quem é pai e mãe de autista pode entender isso enquanto alguém do lado de fora nos olha com aquela expressão que é uma mistura de compaixão e de medo... Não acho o autismo um poema... Bem., talvez o seja se navegando entre Augusto dos Anjos ou Álvares de Azevedo (Sou o Cavaleiro das Armas Escuras, Sou o sonho de tua esperança ,Tua febre que nunca descansa, O delírio que te há de matar!…) e Casimiro de Abreu ou Gonçalves Dias (Conhecer o prazer e a desventura ao mesmo tempo, e ser no mesmo ponto, o ditoso, o misérrimo dos entes! Isso é amor, e desse amor se morre!).

Não acho que o autismo foi uma benção em minha vida... Mas se olho para trás e me lembro da jovem que eu era, do que povoava minha mente e as diretrizes que me guiavam, hoje posso ver que me tornei alguém bem mais forte. Que todo estresse, cansaço, sensação de estar errada ou de não saber como consertar as coisas adicionaram alguns botões liga-desliga em meu cérebro, em meus olhos, em minhas mãos e em meu coração. Hoje posso pensar rapidamente em saídas e estratégias, olhar apenas para o que interessa, agir e aplicar meu esforço no que seja realmente útil e prático e sentir apenas o que possa valer a pena ser sentido. Se você quiser reconhecer um pai ou mãe de autista na rua basta olhar para o seu rosto e descobrir aquela expressão que seja um misto de exaustão e determinação. É ele! Mas na conta final, acho que sim, me tornei alguém melhor do que eu era.

Porém, ao deixar claro que não acho o autismo bonito, um poema, ou uma benção em minha vida, me pergunto porque algumas pessoas não toleram que se compartilhem sorrisos e sucessos. Vocês creem mesmo que deveríamos apenas compartilhar tristezas e amarguras?! Você pode ter ou não um filho especial em sua vida. Mas pode estar se debatendo com muitos outros problemas. Quando uma aragem fresca sopra, quando um raio de sol aquece, quando algo de belo te enleva, você sente conforto ou algo que não desejo colocar em palavras aqui?!

Não gosto da sensação. Não gosto disso que não posso ver, mas que posso sentir. E se o autismo é uma versão ampliada do que sentimos, com todos os botões de volume dos sentimentos e sensações virados ao volume máximo, minha empatia vai à eles mais uma vez. Descobri que apenas finjo compreender esse mundo por baixo da minha capa de condicionamento social. Mas na realidade, não compreendo nada...

Dra Geórgia Fonseca

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