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  • Dra Geórgia Fonseca

Meu filho tem TDAH?


Atualmente fala-se muito sobre esse tema e muitas mães procuram atendimento para seus filhos, pois, acredita que eles apresentam Transtorno de Déficit de Atenção, o famoso TDAH. Essas mães levam queixas para a escola que seus filhos não conseguem ter bom rendimento escolar, são desatentos, não terminam aquilo que começam e sempre esquecem o que já aprenderam.

Mas afinal o que é déficit de atenção ou TDAH?

É uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal (localizada na testa). Quando a criança com TDAH tenta se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui ao invés de aumentar, como acontece nos cérebros sem essa disfunção.

Um requisito para o diagnóstico é que os sintomas precisam estar ou ter estado presentes antes dos sete anos de idade e terem sido observados em dois ambientes, como a casa e a escola. Crianças que sofrem de TDAH mostram sintomas como:

Dificuldade para prestar atenção a detalhes, bem como erros pela falta de atenção ao realizar tarefas escolares ou outras atividades;

Dificuldade para ficar atento durante tarefas ou brincadeiras;

Aparenta não ouvir quando lhe dirigem a palavra;

Dificuldade para seguir instruções ou terminar tarefas.

Sempre irão evitar tarefas que requerem grande esforço mental e organização, como projetos escolares;

Perde frequentemente os materiais necessários para realizar tarefas ou atividades;

A criança também se distrai com excessiva facilidade, frequentemente se esquece de afazeres, ordens ou conteúdos que aprendeu na sala de aula, adia tarefas e tem dificuldade em iniciá-las, por isso, normalmente tem dificuldade em fazer as tarefas da casa.

Mentalmente, a criança que sofre com a TDAH quase sempre está a mil por hora, tanto que para muitos é até difícil ter uma boa noite de sono. Fisicamente, a inquietação é mais comum em meninos e quanto mais novo for a criança mais intensa é essa inquietação, porém, a inquietação física não é a principal característica desta síndrome. Dificuldade para se concentrar na hora dos estudos é uma das principais queixas de muitos pais e costuma acontecer com frequência.

Como tratar?

Cada uma dessas características pode aparecer com menos ou mais intensidade em cada criança com TDAH. Geralmente, eles são considerados como enrolados, esquecidos, desorganizados, preguiçosos, irresponsáveis e rebeldes, mas se a disfunção for identificada e tratada de forma correta tudo isso pode se transformar em criatividade, energia, ousadia e inovação.

No Brasil, calcula-se que três milhões de brasileiros tenham o diagnóstico de déficit de atenção, no entanto, a maior parte dos pais não sabe ou acha que é a natureza do filho ter alguns comportamentos inadequados. O tratamento deve ser feito especificamente para cada criança dependendo do nível de impulsividade, ou distração. O médico deverá ser procurado para avaliar a criança em termos da existência de condições neurológicas associadas. O acompanhamento com psicólogo especialista na área cognitivo-comportamental pode ser muito útil. Muitas escolas encaminham a criança ao médico na esperança que ela seja "medicada", pois ela não "senta", nem "presta atenção". Isto é totalmente absurdo. Os profissionais de educação devem se informar sobre o efeito deletério dos medicamentos para o TDAH a longo prazo. Seu uso deve ser cuidadosamente avaliado pelo médico da criança, e apenas ele deve decidir se a criação deve ou não ser medicada.

Ao contrário do que muitos pensam as crianças com Déficit de atenção não são preguiçosas ou exageradas, para eles, o fato de não conseguir realizar uma tarefa ou não se concentrar em algo por distração é perturbador e muitos sofrem e se sentem culpados. Os pais precisam ter paciência e aceitar a criança, e encontrar maneiras para acentuar seus pontos fortes e isso pode acontecer observando o comportamento da criança com atenção e descobrir em que situações ela se sai melhor.

Punição de qualquer tipo não funciona com as crianças que têm distúrbio do déficit de atenção. Os pais terão mais sucesso se tentarem prevenir o comportamento indesejado de seu filho com muita conversa e carinho. Os pais também devem dar algumas tarefas de responsabilidade para as crianças em casa e elogiá-las, mesmo para as menores tarefas.

Hoje há muita literatura publicada relacionando comportamento desatento e hiperativo com a ingestão de uma dieta cheia de açúcar, corantes e conservantes. O assunto é sério. Lembre que manter uma dieta saudável é importantíssimo para o aporte correto de micronutrientes necessários ao desenvolvimento infantil. A generalização de que estas crianças devem sempre ser medicadas está produzindo toda uma geração de jovens movidos à estimulantes.

Estas crianças precisam de apoio, de dieta e hábitos saudáveis, de suporte cognitivo-comportamental e apoio escolar.

Um grande abraço

Dra Geórgia Fonseca

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