Cannabis de alta potência: riscos reais para a saúde mental dos adolescentes
- Geórgia Fonseca
- 9 de set.
- 1 min de leitura
O debate sobre a cannabis costuma ser marcado por opiniões extremas. De um lado, quem a defende como “natural e inofensiva”; de outro, quem a demoniza como porta de entrada para todos os males. A ciência, porém, traz dados que precisam ser considerados com seriedade, principalmente quando falamos de adolescentes.
A cannabis de hoje não é a mesma de décadas atrás. A concentração média de THC (tetrahidrocanabinol), principal componente psicoativo da planta, aumentou de forma expressiva nos últimos anos em muitos produtos comercializados ilegalmente. Essa elevação da potência mudou o perfil dos riscos associados ao uso.
Estudos recentes mostram que adolescentes que consomem cannabis de alta potência têm maior probabilidade de desenvolver sintomas psicóticos, como delírios, alucinações e perda de contato com a realidade. Além disso, o início precoce do uso está associado a maior risco de depressão, ansiedade e pior desempenho escolar.
O motivo é simples: o cérebro adolescente está em pleno desenvolvimento, especialmente em regiões como o córtex pré-frontal, responsável por funções executivas, e o sistema límbico, ligado às emoções. O THC interfere nesses circuitos em formação, aumentando a vulnerabilidade a transtornos mentais.
É importante destacar: não é todo adolescente que usará cannabis que desenvolverá psicose. Mas os riscos são significativamente maiores quando há consumo precoce, frequente e de produtos mais potentes.
A melhor estratégia não é o medo, mas a informação. Pais e cuidadores podem proteger seus filhos por meio do diálogo aberto, explicando de forma clara os riscos e acolhendo dúvidas sem julgamento. O objetivo é que os jovens se sintam seguros para compartilhar suas experiências e, assim, tomar decisões mais conscientes.



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