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Geração Z: Quando as redes sociais alimentam a insegurança e a ansiedade

  • Foto do escritor: Geórgia Fonseca
    Geórgia Fonseca
  • 9 de set.
  • 3 min de leitura

Nos últimos anos, a Geração Z — jovens nascidos entre 1995 e 2010 — vem sendo alvo de intensos estudos sobre comportamento, saúde mental e adaptação social. E não é por acaso. Esses adolescentes e jovens adultos cresceram totalmente imersos no mundo digital, com smartphones, internet de alta velocidade e redes sociais como parte natural do cotidiano desde a infância.

Essa hiperconexão trouxe benefícios, como acesso rápido à informação e possibilidade de expressão criativa. Mas também trouxe um lado sombrio: a amplificação da insegurança, da comparação constante e da ansiedade.

A comparação que nunca desliga

Pesquisas internacionais, como as conduzidas pela Emory University e pelo Surgeon General dos EUA, apontam que a exposição contínua a conteúdos nas redes sociais cria um ambiente de comparação permanente. As vidas perfeitas exibidas em fotos e vídeos geram uma sensação distorcida de realidade: todos parecem mais bonitos, mais felizes, mais bem-sucedidos.

Essa comparação, muitas vezes inconsciente, mina a autoestima e a autoconfiança, deixando os jovens vulneráveis a sentimentos de inadequação.

“A cada deslizar de dedo, um lembrete de que você não é suficiente.”

 Ansiedade e medo de errar

Um estudo brasileiro da MyLife Socioemocional revelou que 55% dos jovens da Geração Z se consideram ansiosos ou muito ansiosos, e que a terceira palavra mais citada para descrever sua geração é “ansiedade”. Além disso, muitos relatam o medo constante de errar — medo de falhar na vida acadêmica, profissional, social e até estética.

Essa pressão constante vem de múltiplas frentes:

·       Acadêmica: a necessidade de ter um currículo impecável desde cedo.

·       Social: a cobrança para estar sempre presente e interessante online.

·       Pessoal: padrões irreais de beleza e estilo de vida.

Por que as redes sociais intensificam a insegurança?

1.     Feedback instantâneo: curtidas e comentários funcionam como um “termômetro” social, validando ou invalidando postagens e, por consequência, a própria autoimagem.

2.     Filtro da realidade: quase tudo é editado, filtrado e selecionado para mostrar apenas o “lado bom”.

3.     Comparação com celebridades e influenciadores: o acesso direto a pessoas famosas cria uma linha tênue entre o mundo real e o idealizado.

4.     Conteúdos virais e modas passageiras: desafios, tendências e “modinhas” (como uso de chupetas ou “morango do amor”) se espalham rapidamente, reforçando comportamentos questionáveis e, às vezes, prejudiciais.

 Caminhos para promover segurança emocional

Embora não seja possível — nem saudável — afastar completamente os jovens das redes sociais, é possível construir um uso mais consciente:

·       Educação digital: ensinar desde cedo a diferenciar vida real de conteúdo editado.

·       Limites de tempo de tela: estabelecer horários sem celular, especialmente à noite.

·       Atividades offline: incentivar hobbies, esportes e encontros presenciais.

·       Apoio emocional: criar um espaço seguro para que os jovens expressem suas inseguranças sem medo de julgamento.

·       Exemplo familiar: pais e cuidadores que também praticam um uso equilibrado de tecnologia ajudam a consolidar o hábito.

 

A insegurança da Geração Z não é fruto de fragilidade pessoal, mas sim de um ambiente social hiperestimulado e hiperexposto. Compreender esse cenário é o primeiro passo para ajudar nossos jovens a reconstruírem sua autoconfiança e seu bem-estar emocional.

Pais, educadores e profissionais de saúde mental têm um papel fundamental em transformar as redes sociais de um espaço de pressão para um espaço de crescimento.

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