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Movimento Anti-woke, você sabe o que é?

  • Foto do escritor: Geórgia Fonseca
    Geórgia Fonseca
  • 9 de set.
  • 3 min de leitura

O movimento anti-woke é uma reação cultural, política e psicológica contra o que seus críticos consideram exageros ou excessos das pautas de justiça social, diversidade, inclusão e representatividade. Para entender melhor, é útil dividir em duas partes: a origem e as causas psicológicas.

O que é o movimento anti-woke e de onde surgiu

Origem do termo “woke”: vem do inglês to wake (acordar), usado no contexto afro-americano já no início do século XX para significar “estar desperto” para injustiças raciais. A partir da década de 2010, “woke” passou a designar uma postura de consciência social mais ampla (questões de racismo, machismo, homofobia, transfobia, desigualdades etc.).

Expansão cultural: o termo se popularizou nas redes sociais e foi incorporado por movimentos progressistas, sobretudo ligados à luta antirracista, feminista e LGBTQIA+.

Transformação em rótulo pejorativo: grupos conservadores e críticos passaram a usar “woke” de forma negativa, associando-o a censura, “politicamente correto” excessivo ou imposição ideológica.

O movimento anti-woke surge principalmente nos EUA, entre setores conservadores, liberais clássicos e até progressistas desiludidos, como uma crítica ao que percebem como:

  • cancelamento e “cultura do linchamento digital”;

  • imposição de linguagens inclusivas ou identitárias;

  • mudanças rápidas em valores sociais (ex.: identidade de gênero, narrativas históricas, representatividade em mídias).

Hoje, a retórica anti-woke está presente em discursos políticos, campanhas eleitorais, debates acadêmicos e até no mercado (boicotes a marcas que abraçam pautas de diversidade).

Causas psicológicas do movimento AntiWoke na sociedade atual:

A reação anti-woke não é apenas política: tem raízes psicológicas e sociais profundas. Algumas delas:

- Ameaça à identidade e ao status

-Mudanças culturais rápidas podem gerar sensação de perda de referências.

- Pessoas que antes se viam como pertencentes ao “centro” da sociedade passam a se sentir marginalizadas ou acusadas.

- Isso desperta medo de perder status social e ativa mecanismos de defesa identitária.

Reatância psicológica:

- Quando indivíduos percebem que sua liberdade de expressão ou de escolha está sendo limitada (ex.: “não posso mais falar tal palavra”, “não posso mais brincar com isso”), ocorre uma reação automática de oposição, chamada reatância.

- O movimento anti-woke, nesse sentido, é também um protesto contra o que é percebido como imposição moral.

Polarização afetiva:

- Em sociedades altamente polarizadas, grupos não apenas discordam racionalmente, mas passam a desconfiar e odiar os “outros”.

- O termo “woke” vira um marcador identitário: estar contra ele significa se posicionar dentro de um grupo coeso, reforçando laços sociais.

Sobrecarga cognitiva e ansiedade cultural:

- A velocidade das transformações sociais, multiplicada pelas redes, causa fadiga informacional.

- Muitas pessoas não conseguem acompanhar novas normas e conceitos (ex.: pronomes de gênero, terminologias antirracistas) e reagem com irritação ou resistência.

Nostalgia e viés de status quo:

- Psicologicamente, o ser humano tende a preferir estabilidade e familiaridade.

- O discurso anti-woke muitas vezes evoca um passado “mais simples”, menos “confuso”, que acalma ansiedades frente às mudanças.

 Refletindo

O movimento anti-woke pode ser visto como um espelho do desconforto social diante da transformação cultural. Para alguns, representa defesa da liberdade e do debate plural; para outros, é uma forma de resistência à inclusão e à justiça social.

No fundo, ele revela um conflito entre dois impulsos humanos universais: abrir-se para a mudança e a diversidade, ampliando horizontes; preservar estabilidade e identidade, evitando inseguranças.

Precisamos lembrar que saúde mental não é só individual, é também coletiva. E que empatia não é sinal de fraqueza, mas de maturidade cerebral e emocional. Se queremos uma sociedade menos egoísta, precisamos reativar nossas conexões mais humanas.  

Dra. Geórgia Fonseca

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