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  • Foto do escritorGeórgia Fonseca

O jardim ideal

Sempre me impressionei com as brigas nas redes sociais, quando um tema qualquer era capaz de levantar paixões exaltadas. E onde as querelas resultantes costumam transformar as pessoas em inimigas, quando na realidade, deveriam ser se não amigas, ao menos solidárias.

Temos a mesma dor, mas esta dor não nos transformou em pessoas melhores.

Me pergunto, por que é tão difícil mudar? O sofrimento bate à nossa porta aqui, nesta “comunidade”, com o mesmo som à porta! A pancada é a mesma! E ele nos arrasta todos a mudança de sonhos, vida e perspectivas de futuro.

Mas infelizmente, estamos sempre em guerra velada ou declarada contra aquele que está na casa ao lado sofrendo e vivenciando o mesmo que nós.

Será que é porque pensam:- Ah! Eu sofro. Mas este vizinho aqui está sofrendo menos que eu e, por isso, o odeio - Ou invejo? Como podem as pessoas mensurarem a dor de outras que sequer conhecem?! Como podem julgar sem estarem com seus sapatos?

Pelas janelas dos ‘perfis’ sempre assisti, impressionada, críticas se levantarem em vez de atitude solidária real.

Se o sofrimento é demais para alguns, os vejo caminharem rapidamente para o porão escuro de suas casas ou para a feira da esquina: A Feira das Vaidades. Onde se podem encontrar algumas mercadorias para exaltar os egos e assim camuflar a dor.

Mas esta dor assim camuflada é infrutífera! Ela não serve para nada. Nem para quem a sofre nem para a melhoria das crianças e parentes que padecem dentro daquelas casas.

A cada dia tenho mais medo de passear por esta vizinhança. A vizinhança da “vila das redes sociais”, onde estão pais, profissionais, cientistas, mídia e a indústria do autismo. Mas, o que posso fazer? Minha casa está plantada aqui. Bem no meio dela! É aqui que Deus, ou o destino, ou o que quiserem chamar, colocou minha vida e a da minha família. É bem aqui, neste lugar, que tenho que labutar e viver.

Vou vivendo, enquanto puder, sem permitir que pisem nas flores do meu jardim. A idade, o tempo, fazem nosso olhar ficar mais calmo, mais tolerante, mais compreensivo, porém mais zeloso com o que nos é caro.

Também vou levando, às vezes, minha filha para passear lá fora, esperando que meu “vizinho de dores” chegue à janela, ouse sair, converse sem sectarismos, fanatismos, radicalizações ou soberbias - para que possamos compartilhar e encontrar soluções para nossos problemas tão iguais e tão diferentes, assim como são nossos filhos. E que depois possamos também rir, sentarmo-nos na grama, olharmos o céu, conversarmos sobre as margaridas e bromélias. Como cultivá-las junto aos nossos filhos - em canteiros de diferentes cores e formatos - mas que possam compor os jardins mais lindos já semeados!

Não quero mais me sentir presa nesta vila. Quero sentir a liberdade da fraternidade e da inclusão. Ando sonhando com outra paisagem. Talvez, quem sabe um dia...

Dra. Geórgia Fonseca

@Gf.pediatra


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